Flibanserina: que medicamento é este?

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O caminho tortuoso do Addyi até sua aprovação é um termômetro da polêmica que cerca a nova droga.

  • A testosterona em dose baixa é usada off-label em algumas mulheres na pós-menopausa, mas com supervisão médica apertada.
  • Os efeitos secundários da testosterona em mulheres incluem acne, aumento de pelos e alterações da voz.
  • A lubrificação vaginal insuficiente pode ser tratada com hidratantes e lubrificantes de venda livre nas farmácias portuguesas.
  • Os suplementos de maca peruana ou tribulus terrestris são vendidos em ervanárias, mas sem evidência científica robusta.
  • A cessação tabágica e a redução do consumo de álcool melhoram a função vascular e, consequentemente, a resposta sexual.

A flibanserina, seu princípio ativo, foi testada como antidepressivo pela primeira vez

Será que médicos realmente descobriram uma pílula que aumenta a libido das mulheres?

Nós somos resultado de milhões de anos de evolução. O corpo humano é uma máquina incrível - e acreditar que uma pílula pode resolver todos os problemas é uma visão acanhada." Sabia que a BBC está também no Telegram? Foram seis anos, duas reprovações e mais de US$ 100 milhões até que o mundo conhecesse a primeira droga para tratar a falta de desejo sexual feminino. Na terça-feira, dia 18 de agosto, a agência americana que regula medicamentos, conhecida como FDA, liberou a comercialização nos Estados Unidos do Addyi. A aprovação da droga, que já ganhou o apelido de Viagra feminino, era aguardada com ansiedade por mulheres ao redor do mundo, insatisfeitas com suas vidas sexuais, e pela indústria farmacêutica, de olho no mercado bilionário.

“As mulheres sofrem bastante com a falta de libido, e praticamente em silêncio, por uma condição estigmatizada”

Dois dias após o anúncio, a empresa que desenvolveu a droga, a americana Sprout Pharmaceuticals, foi vendida para a canadense Valeant Pharmaceuticals por US$ 1 bilhão. >> "Quero desejar meu marido outra vez"A conquista da cobiçada pílula rosa – uma referência à azul, do Viagra – chama a atenção para problemas sexuais femininos que, por muito tempo, permaneceram em segundo plano na pesquisa científica. Porém, para um grupo numeroso de especialistas, ainda é cedo para comemorar. Eles acreditam que o medicamento pode trazer mais sombras do que luz à sexualidade feminina. “Há muitos perigos em potencial”, afirma o australiano Ray Moynihan, que pesquisa o uso excessivo de medicamentos na Universidade Bond.

1. Flibanserin

>> A guerra pelo "Viagra feminino"Ao solicitar a aprovação à FDA, a agência reguladora que influencia as demais ao redor do mundo, a Sprout foi específica. Isso não impede que qualquer mulher queira usar o medicamento. A droga é destinada a tratar uma condição chamada transtorno do desejo sexual hipoativo, em mulheres na pré-menopausa. Ele é caracterizado pela ausência de desejos ou fantasias sexuais, desde que isso cause sofrimento. O problema é que essa condição não existe mais. em 2009 por uma das grandes da indústria, a alemã Boehringer Ingelheim. O efeito antidepressivo não apareceu no teste, mas mulheres relataram aumento de libido.

Produto Dosagem Quantidade + Bónus Preço
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A empresa pediu à FDA para aprovar a droga como tratamento para a falta de desejo, mas os resultados não convenceram a agência.

2. De onde veio essa Flibanserina?

Em 2013, o termo mudou de nome no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais dos Estados Unidos, a bíblia da psiquiatria mundial. A mudança revela a dificuldade de entender a libido feminina: não é que muitas mulheres não sintam desejo. Às vezes, ele aparece depois da excitação erótica, e não o contrário, como se pensava. “Menos de 5% das mulheres não têm desejo sexual algum”, diz a americana Emily Nagoski, especialista em comportamento sexual. “Cerca de 30% têm o chamado desejo responsivo: precisam ser excitadas antes. O aumento no número de relações sexuais satisfatórias das mulheres que tomaram

Nome comercial Princípio ativo Forma farmacêutica Indicação principal Entidade reguladora
Vyleesi Bremelanotida Injeção subcutânea Transtorno do desejo sexual hipoativo EMA (aprovado, mas não comercializado em Portugal)
Addyi Flibanserina Comprimido oral Transtorno do desejo sexual hipoativo EMA (não aprovado)
Ovestin Estriol Creme vaginal Atrofia vaginal e secura Infarmed
Intrinsa Testosterona Sistema transdérmico Desejo sexual hipoativo pós-menopausa cirúrgica EMA (autorização revogada)

a droga em relação às que ingeriram uma substância sem ação foi mínimo.

  • Os inibidores da fosfodiesterase-5, como o sildenafil, não estão aprovados para uso feminino e têm eficácia limitada.
  • O uso de almofadas ou dispositivos de estimulação do clitóris durante a relação pode aumentar a excitação.
  • A terapia cognitivo-comportamental é eficaz na reestruturação de crenças negativas sobre sexualidade.
  • Em Portugal, a compra de medicamentos para disfunção sexual feminina exige sempre receita médica válida.
  • O álcool em excesso é um depressor do sistema nervoso central e pode prejudicar a resposta sexual.

Elas tiveram 0,8 relação sexual a mais, muito pouco, segundo a FDA, para compensar possíveis efeitos colaterais.

Característica Viagra (sildenafil) Tratamentos femininos Razão da diferença
Mecanismo de ação Vasodilatação peniana Atuação no sistema nervoso central A resposta sexual feminina é mais complexa
Alvo terapêutico Disfunção erétil Transtorno do desejo sexual hipoativo Diferentes fases da resposta sexual
Rapidez de ação 30-60 minutos Semanas a meses Modulação de neurotransmissores
Eficácia clínica 70-80% Modesta (10-20% acima do placebo) Multifatorialidade da disfunção feminina
Efeitos adversos Cefaleias, rubor facial Hipotensão, síncope, náuseas Perfis farmacológicos distintos

A Boehringer desistiu da droga e a vendeu ao casal Cindy e Robert Whitehead – hoje os felizes e bilionários ex-donos da Sprout.

6. E a repercussão?

Meninas não são encorajadas a explorar o próprio corpo e não têm a menor ideia do que está acontecendo lá embaixo - então muitas mulheres acabam dissociando o corpo da cabeça", diz a pesquisadora. "E a ideia de que você pode consertar isso com uma pílula é uma loucura, é não entender a complexidade do desejo sexual." Outras abordagens farmacológicas - como o Vyleesi, injeção de bremelanotida aprovado nos EUA em 2019 para mulheres em pré-menopausa com baixa libido - tampouco se mostraram frutíferas. Parte do fracasso pode ter relação com o fato de que o desejo tem uma dimensão psicológica relevante para as mulheres. É o que ajuda a explicar, por exemplo, porque a baixa libido as afeta mais que aos homens. Depressão, ansiedade, estresse, baixa autoestima, conflitos no relacionamento, vergonha do parceiro - tudo isso interfere mais no desejo feminino do que no masculino, pontua a professora Lori Brotto, da Universidade da Colúmbia Britânica.

Viagra feminino chega ao mercado em setembro

"Os homens também se beneficiam dos efeitos dos níveis mais elevados de testosterona, que os permite sentir uma forma mais espontânea de desejo", ela acrescenta. O desejo espontâneo foi durante muito tempo a ideia pré-concebida do que era desejo: uma vontade que simplesmente aparece, como a fome ou a sede. As correntes mais modernas do estudo da sexualidade feminina têm investigado, contudo, o que chamam de desejo sexual responsivo, aquele que surge como consequência de um estímulo. Uma das cientistas que introduziu esse conceito no início dos anos 2000 foi a canadense Rosemary Basson. A pesquisadora também é autora da ideia da resposta sexual cíclica, que questiona o esquema da resposta sexual feminina como algo direto e linear - desejo, excitação, orgasmo e resolução.

6. Ginseng

Para Basson - e uma legião de cientistas hoje -, as coisas não são tão simples assim. O modelo linear tradicional, que vem de estudos das décadas de 60 e 70, ignora o que ela descreve como "componentes importantes da satisfação da mulher: confiança, intimidade, respeito, comunicação, afeto e prazer pelo toque". Segundo ela, a resposta sexual das mulheres pode ser linear - quando não como comprar viagra farmacia portugal têm parceiro fixo, no início de um relacionamento, por exemplo. Já mulheres em relacionamentos mais longos tendem a experimentar a resposta sexual cíclica, em que desejo e excitação são etapas de um processo que se retroalimenta e também envolve intimidade emocional e estímulos sexuais psicológicos. Essa discussão é importante não apenas para entender melhor as mulheres, mas para saber diferenciar o que são problemas que de fato precisam de tratamento e o que é da natureza da sexualidade feminina. A pequena empresa fez outros testes, mais uma vez recusados pela FDA, que pediu estudos adicionais.

Se não uma pílula, o que então?

Lori Brotto, diretora do Laboratório de Saúde Sexual da Universidade da Colúmbia Britânica, vem estudando o uso de mindfulness (atenção plena) para tratar mulheres com baixa libido, com resultados bastante positivos. Por meio da prática, ela conta, as mulheres conseguiram ganhar mais consciência das mudanças físicas que acontecem antes e durante a atividade sexual - a vasocongestão ou as sensações parecidas com "formigamento" típicas da excitação -, o que pode lhes ajudar a aumentar ou manter o desejo sexual subjetivo. "Vimos que o mindfulness também atua sobre a miríade de pensamentos negativos que as mulheres com problemas sexuais têm de si mesmas, reduz o nível de autocrítica e aumenta a autocompaixão." Prause acredita que, a essa altura, a indústria farmacêutica tenha desistido de procurar uma pílula que resolva os problemas sexuais das mulheres. "O que tenho visto são startups tocadas individualmente por alguns cientistas com ideias mais inovadoras." A sua startup, a Liberos, ainda realiza pesquisas, mas recentemente a cientista voltou à UCLA. Da última vez em que esteve ligada à universidade, em meados dos anos 2010, ela começou a enfrentar dificuldade para continuar seus experimentos em psicofisiologia sexual quando um "senhor" que tinha bastante poder sobre a política de financiamento de pesquisa na instituição "parecia realmente incomodado" com o que ela se propunha a investigar.

O medicamento que gera controvérsia

"Eu sempre amei a universidade, a ideia de ser cientista, de descobrir conhecimento - isso sempre teve mais apelo pra mim do que o mercado. Ele se aposentou, eu voltei", ela conta. Desta vez, ela tentou se colocar numa posição que considera mais segura. Está no departamento de Medicina, focada em áreas ligadas à sexualidade feminina, mas agora como estatística. "Eu brinco que ninguém precisa de um sexólogo, mas todo mundo precisa de um estatístico…" Depois de trabalhar com a pesquisa do viagra, Boolell se afastou dos testes clínicos relacionados à sexualidade.

3. DHEA

Passou por outras farmacêuticas na Suíça, França e Estados Unidos, mas em setores ligados às cardiopatias e à diabetes, suas áreas de expertise. No fim da conversa por telefone, a reportagem pergunta se ele acha que uma droga vai algum dia resolver os problemas sexuais das mulheres. "Seria triste se fosse uma pílula, né? Acho que somos mais do que isso." "As pessoas hoje querem uma pílula para tudo - para perder peso, resolver seus problemas sexuais. Mas o corpo é comprar viagra en portugal muito mais do que isso. >> Walcyr Carrasco: Sexo como vícioEnquanto eles eram realizados, em 2014, surgiu um movimento de organizações de

  • Os bioidênticos e as «hormonas naturais» vendidos online não são regulados e podem apresentar riscos graves para a saúde.
  • A osteopatia e a fisioterapia pélvica têm ganho relevância em Portugal no tratamento da dispareunia e do vaginismo.
  • A utilização de brinquedos eróticos e a masturbação podem ser recomendadas como parte da exploração do próprio corpo.
  • O desejo sexual tende a flutuar ao longo do ciclo menstrual, sendo natural a variação entre fases folicular e lútea.
  • O uso de contraceptivos hormonais combinados pode reduzir a libido em algumas mulheres, devendo ser discutida a alternativa.

mulheres americanas, financiado pela Sprout e por outras farmacêuticas, chamado Even the Score (algo como Empate o Jogo).

  • O termo «viagra feminino» é usado popularmente, mas não existe um medicamento único com essa designação aprovado em Portugal.
  • Em Portugal, a flibanserina e a bremelanotide não estão autorizadas pelo Infarmed para o tratamento do desejo sexual hipoativo.
  • As causas da falta de desejo feminino são frequentemente multifatoriais, incluindo fatores hormonais, psicológicos e relacionais.
  • Antes de qualquer tratamento, é fundamental uma consulta de ginecologia ou de medicina geral e familiar no SNS.
  • A terapêutica hormonal de substituição só deve ser considerada após avaliação clínica rigorosa e individualizada.

O grupo acusava a FDA de preconceito de gênero por nunca ter aprovado uma droga para problemas femininos.

Ingrediente Mecanismo de ação proposto Evidência científica Efeitos secundários possíveis
Maca peruana Equilíbrio hormonal e aumento da energia Estudos preliminares positivos Distúrbios gastrointestinais
Ginseng vermelho Vasodilatação e melhoria da excitação Resultados mistos em ensaios clínicos Insónia, hipertensão
Tribulus terrestris Aumento da testosterona livre Evidência limitada em mulheres Irritação gástrica
Ginkgo biloba Melhoria da circulação sanguínea periférica Estudos com resultados contraditórios Dores de cabeça, anticoagulação
Feno-grego Modulação dos níveis de estrogénio Alguns estudos mostram aumento da libido Odor corporal, diarreia

Os homens, por sua vez, contavam com 26 (algumas, como o Viagra, com efeitos colaterais graves, como interação perigosa com outros remédios).

1. Existe uma explicação para a queda do desejo?

Mas elas e os parceiros não criam clima.” Especialistas como Emily temem que a pílula rosa seja encarada como uma solução milagrosa, que desestimule as mulheres a se conhecer e a conversar com os parceiros. “Esse medicamento não atua nas causas reais do problema, que geralmente são repressão sexual, insegurança com o próprio corpo e falta comprar viagra homem de intimidade.” >> Elisabete Oliveira: “O amor sem sexo é possível”Ainda há o risco de a propaganda do medicamento criar padrões ideais – e irreais – de desejo. “Não existe nível normal de libido, isso é uma invenção da indústria”, diz a médica americana Adriane Fugh-Berman, que estuda estratégias de marketing da indústria farmacêutica na Universidade Georgetown. Existe o temor de que as campanhas de conscientização levem mulheres até então satisfeitas a questionar sua frequência sexual. “A propaganda da indústria é feita para incitar pessoas felizes a perguntar aos médicos se elas também não precisam se tratar”, diz Cindy Pearson, diretora da entidade americana Rede Nacional pela Saúde da Mulher.